Pacientes relatam dificuldade para tratar câncer na rede federal no Rio – G1

Pacientes relatam dificuldade para tratar câncer na rede federal no Rio – G1
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Nesta data, 4 de fevereiro, é comemorado o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Os hospitais da rede pública federal são as principais unidades responsáveis pelo tratamento dos pacientes. No entanto, conforme o Bom Dia Rio vem mostrando, a situação do atendimento não é boa.

Pacientes e familiares de pessoas internadas nessas unidades reclamam de falta de médicos, equipamentos e remédios indispensáveis ao tratamento. Eles também reclamam de demora no atendimento e superlotação.

Um vídeo enviado ao Bom Dia Rio mostra pacientes em cadeiras e macas acumuladas nos corredores do Hospital Federal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá. Outro setor da unidade, com capacidade máxima para 12 pessoas, abrigava 36 pessoas.

Segundo funcionários, o Cardoso Fontes trabalha com o triplo da capacidade. Além disso, ainda de acordo com os funcionários, há pelo menos nove anos não é realizado concurso público para a seleção de novos profissionais.

“Há um longo período que a gente está trabalhando extremamente sobrecarregado. Isso é fruto do colapso da rede de saúde. Em especial Jacarepaguá, que é uma área que não para de crescer. E a gente só tem dois hospitais. O Cardoso Fontes é um hospital que historicamente funciona, mas essa superlotação está matando a gente. Nós não temos concurso público há nove anos. Então a gente tem um déficit terrível de recursos humanos”, disse uma funcionária do hospital, que pediu para não ser identificada.

“O governo federal fez uma contratação muito singela no ano passado, que, na verdade, não leva em conta a realidade do nosso atendimento. Só levou em conta a nossa capacidade, que é de 12 pacientes. Mas, diariamente, a gente tem, no mínimo, o dobro da ocupação”, complementou a funcionária.

“A minha avó, por conta da superlotação, encontra-se no meio do corredor da enfermaria. Não só a minha avó, como outros idosos, também. As enfermeiras se desdobram para atender os pacientes. Queria que a minha avó subisse para o quarto, mas já me disseram que, na enfermaria, ela fica visível e recebe um suporte maior”, lamentou a neta de uma paciente.

Segundo o defensor público da União Daniel Macedo, o Rio vem perdendo vagas para o combate ao câncer.

“Uma lei federal estabelece que o paciente oncológico seja atendido em 60 dias, entre o diagnóstico da doença e o início do tratamento – mas não é isso que acontece no Estado do Rio de Janeiro. O percurso desse paciente é muito complicado: ele demora de um a três meses para ter o primeiro atendimento na Clínica da Família e depois até quatro meses para reunir todos os exames. De posse desses exames, há uma solicitação à rede federal para, só então, ele ser atendido pela primeira vez por um médico oncologista. Se ele for para o Inca (Instituto Nacional do Câncer), a possibilidade de sobrevida é altíssima, mas se ele for encaminhado ao Hospital Federal de Bonsucesso, Cardoso Fontes ou Hospital Federal do Andaraí, a probabilidade, a probabilidade de óbito é de 80%”.

Pessoas com problemas para conseguir atendimento na rede federal podem procurar a Câmara de Resolução de Litígios em Saúde na Rua da Assembleia 77, no Centro da cidade.

“Mas é importante deixar claro que a solução para esse problema não está no Poder Judiciário – essa é uma questão política. É preciso despolitizar esses hospitais – há um deputado federal por trás de cada uma dessas unidades. Isso não é admissível. Além disso, o orçamento desses hospitais continua o mesmo desde 2014”, afirmou o defensor.

Questionado, o Ministério da Saúde não deu respostas sobre a superlotação, falta de remédios e equipamentos.

O governo federal informou que tem feito um conjunto de ações para melhorar o serviço ofertado e diminuir o tempo de espera.

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